segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Lições na escola da vida

*
"A maior represália contra um inimigo é perdoá-lo.
Se o perdoamos, ele morre como inimigo e renasce
a nossa paz. O perdão nutre a tolerância e a
sabedoria..."
Augusto Cury
*
“Vou contar uma triste história, mas
muito importante para que possamos aprender
algumas lições de vida: a história do holocausto
judeu. Uma história em que os direitos humanos
foram completamente destruídos”.
Comentou que durante a Segunda Guerra
Mundial, na Alemanha e em muitos países da Europa,
os judeus e outras minorias perderam todos os seus
direitos. Os nazistas, que eram do partido de Hitler,
queriam exterminar com todos os judeus, como se eles
não fizessem parte da espécie humana. Foi uma coisa
horrível.
Muitos judeus foram enviados para os campos
de concentração, um depósito humano, pior do que
um chiqueiro. Faltava comida, água e cama. Eles
emagreceram tanto que ficaram pele e ossos. Muitos
pais foram separados dos seus filhos. Lágrimas
encharcaram aqueles solos.
Será que pelo menos os jovens e as crianças
judias foram bem tratados? Não! Receberam um
tratamento pior do que os nazistas davam aos animais.
Eles foram retirados das suas casas com violência. Não
podiam andar nas ruas, comprar, ter amigos e ir para
a escola. Não podiam beijar seus pais, ter o carinho
de suas mães. Perderam tudo. Nunca se viram crianças
tão tristes...
Por fim, foram aprisionadas nos campos de
concentração. Foi dramático. Elas choravam alto, mas
ninguém as ouvia. Sentiam dores, mas ninguém as
aliviava. Passavam frio, mas ninguém as aquecia.
Gemiam de fome, mas ninguém as saciava. Um pedaço
de pão era um paraíso. Muitos jovens de hoje têm
fartura de alimentos, mas a desprezam.
Por fim, o resultado não poderia ser mais triste:
mais de um milhão de crianças e adolescentes judias
morreram. Imagine o desespero que viveu cada um
desses pequenos e belos seres humanos. O mundo
nunca mais foi o mesmo. O holocausto na Segunda
Grande Guerra foi milhares de vezes pior do que o
ataque terrorista em 11 de setembro de 2001.
Nossa história foi manchada para sempre. A
viabilidade de nossa espécie foi questionada.
Infelizmente, até hoje, os homens se matam por muito
pouco. Eles não aprenderam lições na escola da vida.
A primeira lição dessa escola é que a vida está acima
das nossas diferenças. A segunda é que acima de
sermos judeus, árabes, americanos, africanos, somos
apenas uma única espécie.
Nunca as crianças e os adolescentes foram tão
violentados na história como no holocausto. Roubaramlhes
o direito de viver. Porém, nem todos morreram
vítimas do nazismo. Havia um jovem chamado Victor
Frankl que estava num dos campos de concentração.
Ele também foi abatido pela fome, pelo frio e pelo
medo. Seus olhos fundos e sofridos viviam assustados.
Mas Victor Frankl via algo além das trincheiras.
Enxergava por detrás das cercas de arames, dos cães
e dos guardas. Via as flores das primaveras num árido
deserto. Via as estrelas no céu numa noite sombria.
Alimentava sua alma de uma esperança divina. Sonhou
com um mundo livre mesmo diante da morte. Por fim,
conseguiu sair vivo de lá. Saiu do cárcere para brilhar
no mundo.
Ele se tornou um dos principais pensadores da
psicologia da segunda metade do século XX. Seus
pensamentos são saturados de esperança. Para ele, a
busca do sentido de vida e de Deus devia ocupar a
mente e o espírito humano.
Ele aprendeu a dar um significado à sua vida
quando a vida valia menos do que nada. Por isso
podemos dizer que a vida humana é tão criativa que
mesmo na terra do holocausto, a dor ainda conseguiu
inspirar algumas belas poesias. O deserto ainda
produziu algumas belíssimas flores. Victor Frankl foi
uma delas. Mas não foi a única.
Vocês sabem quem ganhou o prêmio Nobel de
literatura de 2002? Também foi um judeu, vítima das
atrocidades do nazismo. Seu nome é Imre Kertész . A
dor, o drama, a miséria do jovem Imre Kertész não o
destruiu. Pelo contrário, o fez um mestre da literatura.
Quando Maria Lúcia terminou de contar essa
história, os alunos estavam completamente em silêncio.
Alguns até choraram. Mário estava emudecido. Então
ela, delicadamente, voltou-se para ele e disse: “Você
vive num mundo livre. Tem todos os direitos de um
jovem. Tem onde dormir, o que comer, pode andar,
sair, ter amigos. Mas será que sabe valorizar seus
direitos?”
Mário não deu resposta. Sua voz estava
embargada. Em seguida, a professora completou:
“Será que você ama a sua liberdade? Será que não
está ferindo o direito dos outros quando reage com
agressividade?” Em seguida, continuou sua aula.
Mário pensou. Nunca havia se questionado
tanto. Ele foi embora da escola refletindo sobre tudo o
que ouvira. Nunca tinha pensado nos muitos jovens
que tinham morrido de maneira tão violenta, sem ter
seus direitos minimamente respeitados. Jamais pensara
que a liberdade fosse tão importante.
Ele entendeu, então, o que era a democracia.
Compreendeu que tinha grandes direitos, mas também
importantes deveres. Não percebia que quando
tumultuava a sala de aula estava perturbando os direitos
dos outros. Quando ofendia a professora, ele estava
ferindo os direitos dela.
Maria Lúcia era professora de Línguas. Estava
preocupada não apenas com que os alunos
aprendessem a gramática e outras regras da língua,
mas almejava que eles aprendessem a valorizar a
liberdade e conhecessem as regras que fundamentam
as relações sociais. Ela amava a escola da vida, por
isso ensinava seus alunos a viver.
A professora ficou tão entusiasmada com o
interesse dos alunos pelo holocausto que preparou para
eles uma aula específica sobre direitos humanos. Queria
que seus alunos, um dia, fossem capazes de contribuir
para melhorar o mundo, aliviar as injustiças humanas.
Eis o resumo dessa aula:
A expressão “Direitos Humanos” ganhou mais
significado após as revoluções francesa e americana.
De forma simples, pode-se dizer que essa expressão
se refere aos direitos de uma pessoa nas suas relações
com as outras e com a natureza.
A questão da liberdade está diretamente ligada
aos direitos humanos. Já no século V, Sófocles falou
indiretamente sobre eles. Desde então, o
desenvolvimento dessa idéia continua a se desenrolar.
Os grandes momentos em que as chamas dos
direitos humanos foram mais fortes estão na
Declaração de Independência dos Estados Unidos, de
1776; na Declaração dos Direitos do Homem e do
Cidadão, na França, de 1789; e na Declaração
Universal dos Direitos Humanos aprovada em 1948
pela ONU (Organização das Nações Unidas). O dia
10 de dezembro é o Dia Universal dos Direitos
Humanos. Guarde essa data.
A professora mandou um recado a cada um
dos seus alunos: “Parabéns, você tem muitos direitos
na grande escola da vida. Por isso pode cantar,
brincar, andar, correr, comprar, estudar e expressar
suas idéias livremente. Mas nunca se esqueça de
que você só pode exercer os seus direitos se respeitar
os direitos dos outros...”
E finalizou dizendo: “Os direitos humanos são
tão importantes que eles representam o aplauso do
artista, a água do sedento, a inspiração do poeta, o
amor do romance.
Os direitos humanos não podem estar apenas
na lei, devem ser tecidos na alma e esculpidos no
coração...”
*
(Augusto Cury)
(Texto do Livro: Escola da Vida)
Volte Sempre
Eu amo sua visita
Fique com Deus
Beijos em seu coração com cheirinho de Jasmim.

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